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Derretimento do permafrost: cientistas alertam sobre riscos de ponto de não retorno

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Cientistas britânicos alertaram que o derretimento do permafrost — camadas de solo permanentemente congelado nas regiões polares — pode atingir um ponto de não retorno nos próximos anos, caso as temperaturas globais continuem subindo no ritmo atual. De acordo com um professor de clima da Universidade de Leeds, interviewed pelo The Guardian, o aquecimento extremo recente na Sibéria está acelerando o processo de forma alarmante.

O que é o permafrost e por que é tão importante?

O permafrost cobre aproximadamente 25% do hemisfério norte e armazena cerca de duas vezes a quantidade de carbono que atualmente existe na atmosfera terrestre. Quando esse solo congelado derrete, libera metano e dióxido de carbono — gases de efeito estufa significivamente mais potentes que o CO₂ comum. Segundo o pesquisador consultado pelo The Guardian, essa liberação pode criar um ciclo vicioso que acelera ainda mais o aquecimento global.

O professor explicou que as ondas de calor que atingiram a Sibéria em 2026 já estão causando derretimentos em profundidades nunca antes registradas. Em algumas regiões, o solo congelado há milhares de anos começou a derreter pela primeira vez, liberando materiais orgânicos que estavam preservados desde a era glacial.

Riscos para o Brasil e para o mundo

Apesar de o permafrost estar localizado em regiões distantes, seus efeitos podem ser sentidos globalmente. O aumento das emissões de gases de efeito estufa provenientes do derretimento contribui diretamente para o aquecimento que já afeta o equilíbrio climático do Ártico. Para o Brasil, as consequências incluem mudanças nos padrões de chuva, intensificação de secas e enchentes, além de impactos na produtividade agrícola.

De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o permafrost é um dos chamados “pontos de inflexão climática” — eventos que, uma vez iniciados, podem se tornar irreversíveis e desencadear mudanças drásticas no sistema climático global. Uma pesquisa recente mostrou como descobertas na Era do Gelo ajudam a entender mudanças ambientais que afetam todo o planeta.

O que está sendo feito?

Pesquisadores de diversas instituições estão monitorando o derretimento do permafrost por meio de satélites e estações de medição no solo. No entanto, o professor alertou que as ações de mitigação atuais são insuficientes para frear o processo. “Estamos caminhando rapidamente para um cenário em que o permafrost se torna uma fonte permanente de emissões, e não apenas um estoque de carbono congelado”, afirmou.

Países como Rússia e Canadá, onde o permafrost ocupa grandes áreas, já começaram a enfrentar problemas de infraestrutura causados pelo derretimento, incluindo prédios que desabam e estradas que afundam. O caso da cidade de Norilsk, que sofreu um derramamento de óleo em 2020 devido ao colapso de um reservatório sobre solo descongelado, é citado como exemplo dos riscos imediatos.

Uma corrida contra o tempo

A situação do permafrost ilustra a urgência da redução das emissões globais de carbono. Enquanto os governos debatem metas e acordos climáticos, o solo congelado continua derretendo, liberando gases que tornam o problema ainda mais difícil de resolver. Para os cientistas, a janela de oportunidade para evitar as piores consequências está se fechando rapidamente.

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