A NASA cancelou a missão de resgate do telescópio espacial Swift, que vinha perdendo altitude devido a uma falha no sistema de orientação. A decisão, anunciada em conferência de imprensa na sede da agência em Washington, marca o fim de uma das sondas mais bem-sucedidas da história da astronomia.
O que aconteceu com o Swift
O telescópio Swift, lançado em 2004, sofreu uma falha no sistema de rotação em janeiro de 2026. Sem a capacidade de apontar para alvos específicos, a sonda passou a girar incontrolavelmente, perdendo gradualmente altitude devido ao atrito com a atmosfera residual da Terra.
De acordo com a NASA, a missão de resgate envolveria o envio de uma espaçonave não tripulada para estabilizar o telescópio. No entanto, os custos estimados de US$ 320 milhões e o risco da operação levaram a agência a decidir pelo descarte controlado. “Foi uma decisão difícil, mas responsável. O Swift já cumpriu e superou todas as suas expectativas”, declarou o administrator da NASA, Bill Nelson.
Contribuições científicas
Em seus 22 anos de operação, o Swift foi responsável pela detecção de mais de 1.500 explosões de raios gama (GRBs), fenômenos que marcam a formação de buracos negros no universo distante. Segundo cientistas da Universidade de Leicester, que participaram do projeto, os dados do Swift mudaram fundamentalmente nossa compreensão do universo primordial.
O telescópio também foi fundamental para o estudo de supernovas, colisões de estrelas de nêutrons e a confirmação da existência de elementos pesados como ouro e platina no espaço. “O Swift transformou a astronomia de alta energia. Seus dados serão estudados por décadas”, afirmou o professor Gavin Lamb, da Universidade de Leicester.
O legado do Swift
Apesar do fim, o Swift deixa um legado significativo. A NASA já possui o telescópio Fermi, que continua detectando explosões de raios gama, e o James Webb, que observa o universo em infravermelho. A combinação dos dados desses três observatórios permite uma visão completa do cosmos.
Para o público brasileiro, o Swift teve participação significativa: o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) colaborou em diversos projetos de pesquisa usando os dados da sonda. Mais sobre a astronomia espacial está disponível na cobertura do James Webb e na análise dos telescópios da NASA.
Próximos passos
A NASA prevê que o Swift atinja a superfície terrestre de forma controlada em novembro de 2026. A maior parte da sonda se desintegrará na atmosfera, mas componentes mais resistentes podem atingir o oceano Pacífico. A agência monitorará a reentrada com apoio da Força Espacial dos EUA.
