A Nestlé, maior empresa de alimentos e bebidas do mundo, confirmou a demissão de cerca de 16 mil funcionários em sua operação global, com previsão de conclusão até o fim de 2027. O plano faz parte do programa de redução de custos Fuel for Growth, que elevou sua meta de economia para 3 bilhões de francos suíços (aproximadamente R$ 22,5 bilhões) no período. De acordo com a empresa, 12 mil postos afetados são de áreas administrativas e 4 mil de fabricação e cadeia de suprimentos.
Fechamento de fábricas na Europa
A reestruturação atingiu duas unidades históricas no continente europeu. Na Alemanha, a fábrica de Neuss, que produzia óleo, maionese e mostarda da marca Thomy há mais de um século, encerrou as atividades em junho de 2026 com 145 funcionários. A produção foi transferida para a unidade de Lüdinghausen, que recebeu investimento de € 13 milhões e criou 30 novos postos, segundo a agência GBC.
Na Hungria, a planta de Diósgyőr, com 64 anos de história e 220 colaboradores, vai encerrar a produção em dezembro de 2026. A unidade é especializada em figuras ocas de chocolate para datas comemorativas e fabrica itens das marcas KitKat, Smarties e Milkybar, com exportação para mais de 20 países. O motivo, de acordo com a Nestlé, é a queda na demanda por chocolates sazonais — a fábrica representa menos de 3% da receita da companhia no país. A empresa negocia a venda do complexo industrial para preservar parte dos empregos.
Automatização como motor dos cortes
Segundo o layoff tracker da plataforma Layoff Hedge, o perfil dos cortes revela o impacto da automação: dos 16 mil postos, a maioria são profissionais administrativos substituídos por processos automatizados. A Nestlé não é um caso isolado — empresas como a Nubank já abrem estágios específicos para inteligência artificial, sinalizando a aceleração da substituição de funções tradicionais por tecnologia.
O CEO Philipp Navratil, que assumiu em setembro de 2025 após a demissão do antecessor Laurent Freixe, afirmou que “o mundo está mudando e a Nestlé precisa mudar mais rápido”. A meta de economia anual com os cortes administrativos é de 1 bilhão de francos suíços até 2027.
Brasil recebe R$ 7 bilhões em investimentos
Enquanto a Europa enfrenta fechamentos, o Brasil segue na direção oposta. De acordo com a Banda B, a multinacional investiu R$ 7 bilhões em expansão de unidades no país. O maior exemplo foi a inauguração de uma nova fábrica da Nestlé Purina em Vargeão, Santa Catarina, com aporte de R$ 2,5 bilhões para produção de alimentos úmidos para cães e gatos.
No Espírito Santo, a empresa amplia a unidade de Vila Velha com novas linhas de chocolates e bombons. Em Minas Gerais, expande a produção de Nescafé Dolce Gusto em Montes Claros e investe na fábrica de Ituiutaba ligada a produtos de nutrição. Em Araras, São Paulo, foi instalada uma nova linha para extração de café solúvel. Apesar dos cortes globais, a Nestlé registrou lucro líquido de 3,47 bilhões de francos suíços e faturamento de 43,1 bilhões no primeiro semestre de 2026, mostrando que a reestruturação ocorre em meio a resultados financeiros positivos.
